O conhecimento prático pessoal dos professores é descrito por Clandinin (1992) como sendo o conhecimento que reflete o conhecimento que o indivíduo traz para a experiência docente (uma vez que experiências e conhecimento prévio afetam as práticas dos sujeitos) bem como o reconhecimento da natureza contextual de ensinho. A construção desse conhecimento deve ser feita de maneira crítica que, especificamente, implica o pensar sobre suas ações de modo a ter a consciência dos "porquês" que respaldam as práticas.
Ou seja, seria a reflexão por meio da qual os professores se tornam conhecedores pensantes, isto é, não somente possuem o conhecimento, mas também pensam sobre ele, o que irá guiá-lo tanto nas tomadas de decisões interativas em sala de aula, quanto no planejamento de ensino que levará a cabo. Cabe ainda acrescentar, que não quer dizer com isso, que o professor vem atuando em suas práticas de sala de aula sem pensar e/ou refletir sobre suas ações, mas no paradígma do discurso/linguagem crítica segundo Clarke (2008) e Fairclough ( 1992, 2002), seria uma forma de pensamento crítico sistemático, ou ainda, de forma concientizadora, na qual concebe a linguagem não como um sistema de regras pré-existente com a simples finalidade de representar o mundo, mas também, como uma forma de atuarmos e modificarmos o mundo ou contexto em que vivemos.
De acordo com Golombek, o PPK propicia um caminho moral, afetivo e estético de conhecer situações educacionais da vida. Dentro de tal caminho merece destaque e importância a construção da imagem. Ter uma imagem do que é ser professor (dentro e fora das instituições de ensino), como ensinar (a maneira que o professor acredita ser a correta em relação a outras que as instituições, muitas vezes, o força a implementar), pode ser obtida, justamente, pela imagem expressa por meio de suas palavras em sua prática de sala de aula. Especificamente, as imagens são originadas na experiência passada das pessoas (experiência docente), e são, por sua vez, reconstruidas para encontrar as demandas de uma situação particular, reordenando suas experiências profissionais e pessoais, apontando para esperanças e experiências futuras. Ainda em relação à construção de uma imagem, podemos pensar que o processo de construção de dita imagem colabora também para a construção de uma identidade e ou várias identidades, resgatando a ideia de identidade multifacetada e dinâmica. Nesse sentido, Clarke (2008) irá dizer que cada um de nós participa de mundos múltiplos, de dinâmica social e de conversações sociais que podem configurar múltiplas identidades "forjadas" na interação dinâmica entre o discurso e a prática.
Clarke (2008) também questiona a visão essencialista que pressupõe que os indivíduos e as sociedades sejam auto-suficientes, estáticos e generalizáveis. Dessa forma, afirma que a identidade é construída por meio da articulação de múltiplos fatores: sociais, políticos e culturais. Uma vez que identidade e discurso são indissociáveis, o professor precisa estar atento ao fato de que construímos identidades e, ao mesmo tempo, nossa identidade é contruída pelo discurso.
Ainda no que diz respeito ao PPK, a autora elenca no texto algumas mudanças ocorridas nas práticas atuais dos professores. Uma delas seria a crescente utilização de autobiografia do aprendiz de línguas, de narrativas pessoais, de relatos reflexivos e de pesquisas baseadas em sala de aula. Sobre tais mudanças nas práticas atuais dos docentes, Clandinin e Connelly dizem que a construção e a reconstrução do PPK tem sido realizada por meio da vivência dos professores, de suas histórias. Tais histórias são recontadas por meio de reflexão consciente chamada pelos autores de pesquisa narrativa.
Logo, PPK seria expresso por meio de histórias, imagem e metáforas. Esses recursos seriam utilizados pelos professores para expressar seus conhecimentos e suas reflexões sobre ensino, crenças, alunos e entre outros. As histórias, por exemplo, tem se tornado ferramentas para reflexão e desenvolvimento de professores, uma forma legítima de conhecimento, essenciais na articulação e na legitimação de novos caminhos. Elas seriam utilizados para organizar, articular e comunicar o que sabemos sobre nossa prática individual de professores, sobre nossa maneira de ensinar, trazendo juntas experiências passadas,presentes e futuras.
Borg (2009) salienta que um ponto importante nos estudos da cognição do professor é considerar que o que o professor faz não pode se compreendido somente por meio do que ele pensa, sabe e acredita, é necessário compreender também o contexto em que ele trabalha e o impacto disso no seu ensino. Dessa forma, fazendo um paralelo com Clarke (2008), o discurso do professor pode ser analisado, considerando-se não somente os enunciados, as interações, as atitudes e as crenças, mas também, ele poderá ser analisado como um reflexo dos discursos social, histórico, cultural e político. Portanto, não se pode negar o impacto disso na formação do professor, e resgatando o que foi escrito acima, a questão central é perceber que discurso e sociedade são indissociáveis, assim o professor constrói sua identidade e sua identidade é construída pelo discurso, ou seja, há uma relação intrínseca entre discurso, identidade e cognição.